Apesar de ser conhecida há muito tempo, os dados mostram que a hanseníase não é uma doença do passado, ela continua presente. E o Brasil está entre os países com maior número de casos de hanseníase no mundo, concentrando mais de 90% dos novos casos registrados. Em 2024, foram notificados mais de 22 mil novos casos no país, incluindo diagnósticos em crianças, o que indica transmissão ativa e diagnóstico tardio.
A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo levar à perda de sensibilidade e a incapacidades físicas, quando não é diagnosticada e tratada a tempo.
A evolução da doença costuma ser lenta e silenciosa, o que faz com que muitos pacientes convivam com os sintomas por meses ou até anos antes de procurar atendimento médico. Apesar de ser conhecida há séculos, ainda é cercada de estigmas, apesar de ser uma doença curável, com tratamento gratuito e eficaz, desde que diagnosticada precocemente.
A falta de informação e o medo ainda contribuem para o diagnóstico tardio, aumentando o risco de sequelas.
Quando não tratada, a hanseníase pode causar perda progressiva de sensibilidade, lesões nervosas, fraqueza muscular e incapacidades físicas permanentes. Por isso, o diagnóstico precoce é um dos principais fatores para evitar complicações.
Como a hanseníase é transmitida?
A transmissão ocorre principalmente por meio de gotículas respiratórias, eliminadas por pessoas com a forma multibacilar da doença que ainda não iniciaram o tratamento. É importante destacar que a hanseníase não é altamente contagiosa e na maioria dos casos, o contágio exige contato próximo e prolongado.
Um ponto fundamental é que, após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase e pode manter sua vida social normalmente.
O preconceito e a desinformação ainda afastam muitas pessoas do diagnóstico e do tratamento. Por isso, é fundamental reforçar que:
- A hanseníase não se transmite por aperto de mão ou contato casual;
- Pessoas em tratamento não oferecem risco de contágio;
- O tratamento permite uma vida normal, sem restrições sociais;
Principais sinais da hanseníase
Os sinais iniciais da hanseníase podem ser sutis, o que frequentemente atrasa o diagnóstico. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Manchas na pele, geralmente claras, avermelhadas ou acastanhadas, com alteração ou perda de sensibilidade ao toque, calor ou frio;
- Dormência ou formigamento em braços, mãos, pernas ou pés;
- Engrossamento de nervos periféricos, especialmente nos cotovelos e joelhos;
- Fraqueza muscular e dificuldade para segurar objetos ou caminhar;
- Feridas que demoram a cicatrizar.
A presença de manchas associadas à perda de sensibilidade é um sinal de alerta importante e deve ser avaliada por um profissional de saúde o quanto antes. Ao notar qualquer um desses sintomas, procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação.
A hanseníase tem cura?
Essa ainda é uma dúvida comum, mas a resposta é sim: a hanseníase tem cura e o tratamento é altamente eficaz. O protocolo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é a poliquimioterapia (PQT), que combina antibióticos capazes de eliminar completamente a bactéria.
O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Realizado por um período de 6 a 12 meses.
Iniciar o tratamento precocemente previne danos nos nervos e incapacidades físicas permanentes. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, menores são as chances de sequelas.
Prevenção e controle da hanseníase
Para reduzir o risco de transmissão da hanseníase, é essencial:
- Identificar os casos precocemente;
- Tratar imediatamente as pessoas diagnosticadas;
- Acompanhar os contatos próximos dos pacientes.
Essas ações são fundamentais para o controle da doença e para a redução de novos casos.
A hanseníase é uma doença séria, mas totalmente curável quando identificada a tempo. Reconhecer os sintomas, entender como ocorre a transmissão e buscar atendimento médico precocemente são atitudes essenciais para evitar complicações. Ao notar manchas na pele com perda de sensibilidade ou outros sinais suspeitos, procure imediatamente uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce faz toda a diferença!
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